sábado, 19 de setembro de 2009

A tempestade
A noite estava escura, a lua que antes iluminava o céu já não tinha mais o mesmo brilho. Na
margem do rio ela se encontrava debaixo daquela árvore que lhe cobria os sonhos e
os pensamentos, olhando o rio correr tão lentamente como o fixar dos seus olhos castanhos num certo ponto daquela imensidão de água.
O vento que tocava de leve o seu vestido de linho branco contornando as suas curvas, enquanto desalinhava os seus longos cabelos negros bem cuidados, dava àquele cenário uma beleza impressionate e enigmática. Ela uma mulher interessante no auge dos seus trinta anos aparentava um ar de menina e ao mesmo tempo carregava consigo uma bagagem de experiências vividas. E ela tão perto e distante de mim alí, bem alí na minha frente me parecia inacessível e intocável, presa no turbilhão de pensamentos e sentimentos que lhe invadia a alma.
Eu naquele momento tudo que mais desejava era poder arrancá-la daquele estado de éxtase descompensado. Na sua aparência agora um tanto seca escondia um lamento, um choro de um amor não vivido e uma espera desnecessária, ao mesmo tempo em que sentia uma saudade de um tempo distante ainda porvir, e que ela pensava nunca mais chegar.
A vida as vezes nos impõe sacrifícios que parece tão maiores que as nossas forças. Mas a capacidade humana desafiadora e orgulhosa representada na figura daquela mulher, que mais uma vez encerrava aquela tempestade interna no fundo daquelas águas profundas, através dos seus raios oculares e magnetizadores para mais uma vez recomeçar.
E eu espectador daquele instante em que coração explode para arrancar de dentro de si aquilo que não vai lhe servir, fiquei a imaginar que os opostos sempre andam juntos: O bem e O mal, a ira e a calmaria, o amor e o ódio, o caos e a paz, tudo é uma questão de dosagem e equilíbrio, teria ela encontrado o dela?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"O amor é um sentimento delicado e profundo, que coloca o coração em um simples beijo, quando a alma se funde no mesmo abraço". (Zibia)

Há de se ter disposição para amar
vontade de rasgar a alma
e uma persistência tal, a ponto, de recomeçar
a cada desilusão vivida na busca desse sentimento
que vive dentro de você mas que precisa ser
compartilhdo para não muchar dentro do peito
e torná-lo sem vida.
E essa busca constante é tão emocionante
e ao mesmo tempo tão dolorida, que as vezes
parece até sub.humano suportar.

domingo, 13 de setembro de 2009


Uma eterna aprendiz


Já passei noites olhando para o céu me perguntando se nada e nem ninguém existisse como seria o mundo, haveria o mundo?, aos cinco anos já me olhei no espelho imaginando como seria quando estivesse da idade de minha mãe, aos 12 anos eu já queria ter 18 anos e aos 21 anos eu queria voltar a ter cinco. Já briguei pela atenção da minha mãe e dos meus professores no jardim da infância. no segundo ano colegial me apaixonei pelo meu professor Beto e só aos 15 anos é que descobri que ele gostava de meninos. Já fiz bola de chiclete até ela estourar no rosto, já joguei bolinha de gude, já passei trote por telefone, toquei campainha ado vizinho e depois me escondi, já fiz barquinho de papel para navegar nas enxorradas da chuva, já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já quis ser violonista, executiva e até andar por aí sem rumo, meu primeiro beijo foi atráz da geladeira me escondendo do meu irmão. Já confundi sentimentos, já magoei e fui magoada, já andei por caminhos longos e o que buscava muitas vezes estava do meu lado, já chorei lendo um livro ou mesmo assistindo cenas de novelas, já ri de me mesmo, dos meus pequenos e grandes micos e dos meus amores "impossíveis". Já me tranquei num quarto, já me insolei do mundo, já me senti sozinha numa multidão de gente, já pensei um dia que a morte seria o fim de tudo, já quis morrer quando minha mãe se foi, já senti ciúmes e fiquei horas ao lado do telefone esperando um telefonema dele, já liguei só para escutar a voz de alguém. já rir paras as paredes depois de um um desejo consumado. Já tentei esquecer algumas pessoas e acabei descobrindo que essas são as mais difíceis de esquecer. Já me supreendi fazendo coisas que um dia eu disse que jamais faria, já repeti erros, já pedi perdão várias vezes, já me embriaguei só para ver como seria, e já roubei bebidas das pessoas nas mesas das boates só para sacanear. Já menti para não fazer pessoas sofrerem, já ouvi e troquei confidências, já quis arrancar algumas páginas da minha vida, mas descobri que elas são importantes para o meu crescimento pessoal, já contei até dez para não falar o que não devia, mas muitas vezes não consegui me controlar, já humilhei e fui humilhada. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas quase sempre um dia se acaba, já deixei pessoas esperando por mim e já levei muitos foras também, já apostei corridas descalça na rua, já gritei de felicidade, já chorei por ver amigos partindo e vibrei pelos novos que chegaram. Já morri de medo do escuro, já chorei de raiva, já tremi de nervoso, já senti o chão sumir do meus pés, já me desiludi com o amor mas descobri que é preciso estar aberto para ver novamente o sorriso de alguém especial, já senti vontade de afagar e apredejar ao mesmo tempo, já quis partir e ficar ao mesmo tempo porque a vida é exatamente assim um ir e vir mesmo que não saibamos a razão. Ainda hoje aos 30 anos algumas vezes ainda me sinto como aquela criança no jardim da infância ou mesmo aquela garota aos dezoito anos que queria ganhar o mundo.

Foram muitos momentos vividos, historias contadas, historias criadas, fotografadas, gravadas lá no fundo do coração, e apesar de tantas experiências ainda tenho muito que aprender, que desfazer, quer recriar porque haverá sempre uma pergunta que não quer calar, que nos move em várias direções tentando encontrá-la: O que sou, O que eu quero e O que estou fazendo aqui?

Mas enquanto isso sigo em frente poque o tempo não para, aproveitando cada momento, cada sol que surge e que se põe para dar lugar a lua que embala os sonhos dos corações sedentos por "viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


O que vem a ser felicidade, toda explicação perde o valor e é tão claro e simples que é verdade quando alguém diz que invade a fronteira do amor. E sem perceber leva consigo uma cauda aberta de pavão, e é como um baralho sobre a mesa feito um leque azul turquesa ventilando o coração. Como tudo é tão diferente, o cíume a dor, o amor e a razão. Mais a felicidade é tudo junto, todo tempo num segundo não explicaria nem se a flor viesse antes do botão. Esse sentimento poderoso é uma cidade, uma capital é um país, e o que há de mais maravihoso é descobrir que o tempo inteiro estava há um palmo do nariz. E todo o percurso transcorrido leva-nos a ver sentido quando tudo é explosão, porque a felicidade é um rio denso que precisa de silêncio para falar ao coração. (Orlando Moraes)

terça-feira, 1 de setembro de 2009


Planeta Terra


As vezes olho para o planeta Terra, com as nuvens flutuando através de sua superfície profundamente azul, e fico pensando quanto tempo ainda nos resta. Quantas vezes ainda iremos apreciar o nascer do sol. Quantas vezes mais as folhas vão cair e serem carregadas pelo vento através de estradas curvas. Quantas manhãs ainda iremos levantar e nos aprontarmos para um novo dia, crianças indo para escola, os pais para o trabalho, a dona de casa varrendo a calçada, o carro de som na rua anunciando propagandas comerciais, o trânsito intenso, os colegas se cumprimentando nas repartições, o vai e vem das pessoas nas ruas...

Imagino quantas primaveras ainda veremos cobrir de verde a terra fria, e as vezes choro porque apesar da violência, mentiras,corrupções,miséria da maioria do nosso povo, e da nossa ignorância e descaso com a natureza, eu amo tudo isso aqui, a vida que construi, a minha casa com passarinhos a cantar sobrevoando as árvores do meu quintal, a minha família e amigos. Mas um dia sei que tudo isso aqui ficará para tráz e teremos que construir um novo lar em um novo planeta, eu só espero que estejamos preparados quando esse dia chegar.