
Uma eterna aprendiz
Já passei noites olhando para o céu me perguntando se nada e nem ninguém existisse como seria o mundo, haveria o mundo?, aos cinco anos já me olhei no espelho imaginando como seria quando estivesse da idade de minha mãe, aos 12 anos eu já queria ter 18 anos e aos 21 anos eu queria voltar a ter cinco. Já briguei pela atenção da minha mãe e dos meus professores no jardim da infância. no segundo ano colegial me apaixonei pelo meu professor Beto e só aos 15 anos é que descobri que ele gostava de meninos. Já fiz bola de chiclete até ela estourar no rosto, já joguei bolinha de gude, já passei trote por telefone, toquei campainha ado vizinho e depois me escondi, já fiz barquinho de papel para navegar nas enxorradas da chuva, já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já quis ser violonista, executiva e até andar por aí sem rumo, meu primeiro beijo foi atráz da geladeira me escondendo do meu irmão. Já confundi sentimentos, já magoei e fui magoada, já andei por caminhos longos e o que buscava muitas vezes estava do meu lado, já chorei lendo um livro ou mesmo assistindo cenas de novelas, já ri de me mesmo, dos meus pequenos e grandes micos e dos meus amores "impossíveis". Já me tranquei num quarto, já me insolei do mundo, já me senti sozinha numa multidão de gente, já pensei um dia que a morte seria o fim de tudo, já quis morrer quando minha mãe se foi, já senti ciúmes e fiquei horas ao lado do telefone esperando um telefonema dele, já liguei só para escutar a voz de alguém. já rir paras as paredes depois de um um desejo consumado. Já tentei esquecer algumas pessoas e acabei descobrindo que essas são as mais difíceis de esquecer. Já me supreendi fazendo coisas que um dia eu disse que jamais faria, já repeti erros, já pedi perdão várias vezes, já me embriaguei só para ver como seria, e já roubei bebidas das pessoas nas mesas das boates só para sacanear. Já menti para não fazer pessoas sofrerem, já ouvi e troquei confidências, já quis arrancar algumas páginas da minha vida, mas descobri que elas são importantes para o meu crescimento pessoal, já contei até dez para não falar o que não devia, mas muitas vezes não consegui me controlar, já humilhei e fui humilhada. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas quase sempre um dia se acaba, já deixei pessoas esperando por mim e já levei muitos foras também, já apostei corridas descalça na rua, já gritei de felicidade, já chorei por ver amigos partindo e vibrei pelos novos que chegaram. Já morri de medo do escuro, já chorei de raiva, já tremi de nervoso, já senti o chão sumir do meus pés, já me desiludi com o amor mas descobri que é preciso estar aberto para ver novamente o sorriso de alguém especial, já senti vontade de afagar e apredejar ao mesmo tempo, já quis partir e ficar ao mesmo tempo porque a vida é exatamente assim um ir e vir mesmo que não saibamos a razão. Ainda hoje aos 30 anos algumas vezes ainda me sinto como aquela criança no jardim da infância ou mesmo aquela garota aos dezoito anos que queria ganhar o mundo.
Foram muitos momentos vividos, historias contadas, historias criadas, fotografadas, gravadas lá no fundo do coração, e apesar de tantas experiências ainda tenho muito que aprender, que desfazer, quer recriar porque haverá sempre uma pergunta que não quer calar, que nos move em várias direções tentando encontrá-la: O que sou, O que eu quero e O que estou fazendo aqui?
Mas enquanto isso sigo em frente poque o tempo não para, aproveitando cada momento, cada sol que surge e que se põe para dar lugar a lua que embala os sonhos dos corações sedentos por "viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz."